O Dia Nacional de Segurança e de Saúde nas Escolas, celebrado em 10 de outubro, chama atenção para a importância de medidas preventivas no ambiente escolar. Entre elas está a preparação para situações de emergência, que envolve desde a definição de rotas de fuga e sinalização até o treinamento de funcionários e estudantes para saber como agir diante de uma ocorrência.
Na avaliação de Jocimar Ristow, diretor da Simpax, empresa que atua com soluções para controle de acesso e segurança escolar, o planejamento deve começar pela análise da própria estrutura física da instituição. Segundo ele, a partir da planta baixa da escola, é possível estudar os caminhos disponíveis e elaborar, geralmente, até três versões de rotas de fuga, considerando diferentes possibilidades de saída. “A elaboração de alternativas é importante porque, dependendo da emergência, o caminho habitual pode estar bloqueado ou representar algum risco. Por isso, as rotas precisam considerar características como corredores, escadas, portas, áreas de circulação e pontos de encontro externos”, explica Ristow.
Treinamento que transforma planejamento em ação
Ter rotas definidas não é suficiente. Para que o protocolo funcione em uma situação real, professores, funcionários e demais profissionais envolvidos na rotina escolar precisam conhecer os procedimentos e saber como orientar os alunos.
Por isso, a realização periódica de treinamentos permite testar as rotas previamente estabelecidas e identificar se há alguma dificuldade que não foi considerada durante a elaboração do plano. O especialista da Simpax ressalta ainda a importância da sinalização e de instruções claras aos alunos. “Em uma situação de emergência, não há espaço para improvisação. A equipe precisa conhecer os procedimentos e saber como conduzir os alunos. A identificação das rotas por sinalizações luminosas também faz toda a diferença para uma evacuação organizada e segura”, reforça.
É importante lembrar que os planos de fuga também precisam ser revistos quando há mudanças na estrutura física da escola, alteração na disposição das salas ou modificações nos acessos.
Tecnologia como complemento
O planejamento de emergência pode ser combinado a outras ferramentas de segurança utilizadas diariamente pelas instituições de ensino. Entre as mais utilizadas estão os sistemas de controle de acesso por reconhecimento facial, que permitem identificar pessoas autorizadas e registrar entradas e saídas com rastreabilidade e precisão.
Outra novidade do mercado são câmeras de monitoramento com visão computacional e inteligência artificial, capazes de analisar imagens em tempo real e identificar situações consideradas atípicas, permitindo que a equipe responsável seja alertada para avaliar a ocorrência imediatamente.
Para Jocimar, entretanto, a tecnologia deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla. “Nenhuma tecnologia substitui um protocolo bem elaborado e uma equipe preparada para operar essas ferramentas de forma responsável. A tecnologia pode fornecer informações e ajudar na identificação de situações atípicas, mas é a combinação entre planejamento, treinamento, infraestrutura e atenção de todos os envolvidos que fortalece a segurança da escola”, diz.
Especialistas defendem que para estar preparada para responder a uma emergência, a escola precisa construir uma cultura permanente de prevenção. Conhecer os riscos, planejar diferentes cenários, treinar as equipes e orientar os estudantes são medidas que podem fazer a diferença justamente no momento em que cada segundo conta.